Pe. Paulo Ricardo realiza um estudo sobre oito doenças espirituais, as quais três delas são apresentadas neste livro, que é o primeiro volume de uma obra que aborda o reconhecimento destes males e também instrui na terapia de cada um deles.
A capa desta obra retrata dois rostos de Jesus. De um lado, a face de Jesus sereno e misericordioso, do outro lado, a face de Jesus triste, severo e irado. Este ícone significa a contradição. Jesus é misericordioso sim, mas Ele é uma misericórdia exigente. A ira de Deus é uma forma de amar. Se olharmos apenas para o olhar misericordioso de Cristo, vemos Jesus incompleto. O Jesus que diz ‘Vinde a mim que sou manso e humilde de coração’, é o mesmo que, com um chicote, destruiu os vendilhões.
Padre Paulo Ricardo comenta um texto do Cardeal Joseph Ratzinger a respeito da Teologia da Libertação: "Algumas observações preliminares sobre a teologia da libertação", publicado em RATZINGER-MESSORI, "A fé em crise: o Cardeal Ratzinger se interroga", EPU, 1985, p. 135-145.
Chegamos à conclusão do nosso curso com a terapia da vaidade e do orgulho. Embora distintas, as duas doenças possuem uma terapia muito semelhante. Trata-se de o homem se reconciliar com a verdade a respeito de si mesmo e aceitar a sua miséria e a misericórdia de Deus.
O orgulho ou soberba (hyperefania) é muito semelhante à vaidade. Na tradição latina esta oitava doença está fora da lista dos sete pecados capitais, por estar acima dos outros e é a raiz de todos. Este, que é o pecado de Satanás, faz com que as pessoas não vejam os próprios pecados e que deles se esqueçam.
Há dois tipos de vanglória (cenodoxia). O primeiro consiste em se gloriar das realidades materiais; o segundo se gloriar das virtudes e dons espirituais. Assim, a vanglória se manifesta como um fenômeno universal e especialmente perigoso, já que nos leva a uma visão delirante da realidade.
A terapia da ira consiste no esforço de não utilizar a cólera contra o nosso próximo e utilizá-la contra os demônios e os pecados. Não tem verdadeiro amor pelo bem quem não possui um correlativo ódio contra o mal. Além disto, a oração, a paciência e a caridade são caminhos seguros para alcançar a mansidão de um coração semelhante ao de Cristo.
A capacidade de nos irarmos foi criada por Deus e faz parte da natureza humana. Mas, através do pecado, o homem desviou esta faculdade de sua finalidade primeira: lutar contra a tentação e buscar o bem. A paixão da ira (orgé) nasce do uso desordenado da faculdade irascível (thymós).
A acídia tem a peculiaridade de envolver todas as faculdades da alma. Por isto, ao contrário das outras paixões, ela não pode ser curada por nem substituída por uma virtude que lhe seja especificamente contrária. Quem deseja a perfeição deve “combater o espírito pernicioso da acídia em todas as frontes” (São João Cassiano).
“Atonia da alma”. Assim Evágrio Pôntico, monge que viveu no século IV, define a acídia (akedía), doença cujo nome é praticamente intraduzível nas línguas modernas e que indica a situação do espírito atingido por um mal-estar em cujos matizes estão incluídos o desgosto pela vida, o tédio, o desânimo, a preguiça, a sonolência, a melancolia, a náusea, a indecisão, a tristeza, a desmotivação...
O principal remédio da tristeza segundo o mundo (lýpe) é a tristeza segundo Deus (pénthos), o arrependimento de nossas idolatrias. Com esta conversão torna-se verdade a palavra do evangelho: “Bem-aventurado os que choram, porque serão consolados” (Mt 5,4).
Há dois tipos de tristeza – lýpe – (cf. 2Cor 7,10). Trata-se sempre de um sofrimento pela perda da divindade, seja o Deus verdadeiro (“tristeza segundo Deus”), seja um falso ídolo (“tristeza segundo o mundo”). Sua origem pode estar no desejo ou na ira ou num espírito mau.
A avareza (filargíria) e a ganância (pleonexia) são insaciáveis. Como cura para estes males os Santos Padres nos propõem uma nova forma de olhar para os bens materiais sob a luz da fé. Além disso se sobressaem como remédio de suma importância a pobreza espiritual e a esmola.
A avareza (filargíria) e a ganância (pleonexia) são fruto do apego passional aos bens meteriais. São Máximo, o Confessor, nos ensina: “São três as causas do amor às riquezas: o amor ao prazer, a vanglória e a falta de fé; mais grave porém que as duas primeiras é a falta de fé” (Centúrias sobre a caridade III, 17).
A Luxúria (Pornéia) acontece quando o corpo consegue a hegemonia sobre a alma e o espírito. Isto se dá pelo domínio que a fantasia exerce sobre outras faculdades da alma. Para a cura da Luxúria é necessário moderar a fantasia e direcionar a faculdade do desejo (cor inquietum) para Deus.
A paixão da luxúria (pornéia) consiste no uso patológico que a pessoa faz da própria sexualidade. O sexo foi pensado por Deus como realidade sagrada e não pode ser vivido de forma adequada pela pessoa humana fora de seu significado espiritual originário.
A derrocada da moral judaico-cristã no campo da sexualidade não foi obra do acaso, nem conseqüência da inevitável substituição de uma moral ultrapassa por outra mais moderna. Trata-se de um movimento político e revolucionário bastante articulado e com objetivos bem claros.
Para curar o homem das doenças espirituais, a ação terapêutica deve, em primeiro lugar, combater a paixão da gula: por um lado, porque esta paixão é a mais grosseira, a mais primitiva, por outro lado, porque da vitória sobre ela depende a luta contra as outras paixões.
A gula é um problema espiritual freqüentemente esquecido. Os Santos Padres salientam a sua importância como origem de vários outros males. Trata-se, sobretudo, de uma forma errada de relacionamento com os dons recebidos de Deus.
O amor desordenado por si mesmo (a filáucia) é causa de todas as doenças espirituais. Da filáucia nascem as três doenças fundamentais: a gula (gastrimargia), a avareza (filargíria) e a vanglória (cenodoxia). Com estes pensamentos passionais Jesus foi tentado no deserto por Satanás. A Igreja, na sua sabedoria, propõe o remédio das práticas quaresmais: o jejum, a esmola e a oração.
O homem, criatura de Deus, é, por sua própria natureza, bom e digno de ser amado. Podemos e devemos amar a nós mesmos. Mas o pecado original faz com que este amor próprio (a filáucia) seja mal orientado. A filáucia torna-se então “um amor de si contra si”, “uma paixão pelo corpo”, “um amor irracional” (São Máximo, o Confessor).
O homem, criado para uma vocação divina, está marcado pelo pecado (filáucia). A investigação teológica deve levar isto em conta. Embora teoricamente possível, o método indutivo (teologia de baixo) tem produzidos mais males do que bem, especialmente nas atuais circunstâncias de crise eclesial.
"Como sacerdote, não posso oferecer minhas idéias privadas; sou enviado de um outro, e é isso que dá relevância à minha mensagem. Revestir-se de Cristo consiste neste processo de identificação com a Palavra da fé, para que seja algo nosso por nos termos ajustado a ela."
"Deus tem suas datas. No domingo em que o mundo islâmico, em polvorosa, se ergue em protesto contra o Papa Bento XVI, a Igreja proclama o evangelho da cruz: “Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz e me siga” (Mc 8,34)...."
"Não sendo nem uma religião nem uma ideologia, o conjunto de opiniões designado como conservadorismo não possui nem uma Escritura Sagrada nem um Das Kapital que lhe forneça um dogma. Na medida em que seja possível determinar o que os conservadores crêem, os primeiros princípios do pensamento conservador provêm daquilo que professaram os principais escritores e homens públicos conservadores ao longo dos últimos dois séculos..."
Receba as palestras em seu computador através do nosso podcast. Para inscrever-se clique aqui. É necessário ter instalado em seu computador o programa iTunes Player.
Copyright © 2006 padrepauloricardo.org — Brasil