Hoje – 01 de Abril de 2026
4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. 8A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. 9aSim, o Senhor Deus é meu Auxiliador; quem é que me vai condenar?
Respondei-me pelo vosso imenso amor,
neste tempo favorável, Senhor Deus.
8 Por vossa causa é que sofri tantos insultos, *
e o meu rosto se cobriu de confusão;
9 eu me tornei como um estranho a meus irmãos, *
como estrangeiro para os filhos de minha mãe.
10 Pois meu zelo e meu amor por vossa casa *
me devoram como fogo abrasador;
e os insultos de infiéis que vos ultrajam *
recaíram todos eles sobre mim! R.
21b O insulto me partiu o coração; †c Eu esperei que alguém de mim tivesse pena; *d procurei quem me aliviasse e não achei!
22 Deram-me fel como se fosse um alimento, *
em minha sede ofereceram-me vinagre! R.
31 Cantando eu louvarei o vosso nome *
e agradecido exultarei de alegria!
33 Humildes, vede isto e alegrai-vos: †
o vosso coração reviverá, *
se procurardes o Senhor continuamente!
34 Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, *
e não despreza o clamor de seus cativos. R.
Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “O que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
17No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”.
19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?”
23Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 26, 14-25)
Naquele tempo, um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: “Que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”.
Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?”
Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.
Hoje, estamos na Quarta-feira da Semana Santa, que, tradicionalmente, faz das demais quartas-feiras ocasiões de penitência. Mas por qual motivo, se as sextas-feiras já são de abstinência — pelo fato de ter sido o dia em que Jesus morreu na Cruz? Porque é o dia em que, segundo a Tradição, Judas foi ao Sinédrio para combinar o preço que seria pago por Jesus. É o dia da traição.
Sabemos que Jesus será entregue na noite de quinta para sexta, mas é na quarta-feira que Judas acerta o preço. Assim, o valor pago por um escravo é o mesmo atribuído a Nosso Senhor — e, dessa forma, Ele é vendido como um objeto; Ele que, na verdade, não tem preço.
A palavra “precioso” indica algo de grande valor; no entanto, o preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, que será derramado na Cruz, possui um valor infinito, inestimável. Aqui, então, é apresentado um grande paradoxo: Cristo pagou o preço da redenção dos escravos, que somos nós, sendo vendido como um escravo e derramando seu Sangue pela nossa liberdade! Sabendo disso, compreendemos verdadeiramente o significado da Páscoa.
No Antigo Testamento, o povo de Israel foi salvo pelo sangue de um cordeiro, aspergido nas portas das casas, para que o Anjo da morte não os atingisse. Porém, aquilo era apenas uma prefiguração de uma realidade que, em Jesus, cumpriu-se plenamente: Ele é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Já não se trata de ser livre de uma morte biológica, mas da morte eterna. Assim, enquanto o povo de Israel foi libertado do Egito, nós nos tornamos livres da condenação perpétua e do poder de Satanás pelo Sangue de Jesus.
A própria traição de Judas foi, de certo modo, um sinal desse mistério: Deus, em sua Providência, é capaz de usar até o pecado para manifestar o seu amor. Como diz a Carta aos Filipenses: “Jesus, sendo igual a Deus, esvaziou-se, assumiu a condição de escravo e foi obediente até a morte, e morte de Cruz” (Fl 2, 6-8).
Vendido por trinta moedas, Ele nos resgatou das garras de um faraó muito mais cruel que o do Antigo Testamento: Satanás e a morte eterna. Portanto, cheios da certeza do amor de Cristo, vivamos o Tríduo Pascal, que se inicia amanhã, com muita oração, penitência e fé n’Aquele que, em sua perfeita misericórdia, livrou-nos dos grilhões do maligno.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.